terça-feira, 3 de julho de 2012


Adriano Cintra lança duo Madrid no SESC Pompeia

Ex-compositor do Cansei de ser Sexy uniu-se a Marina Vello, do Bonde do Rolê, para fazer um som mais acústico e nada adolescente

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Adriano Cintra e Marina Vello: fugindo do som adolescente do CSS e do Bonde do Rolê (Foto: Miro / DIVULGAÇÃO)
Por Soraia Yoshida
Adriano Cintra cansou. Cansou de escrever músicas pop, cansou da sucessão de festas e de passar pela rotina chata de checagem de vistos em Londres, onde morou por quase quatro anos, durante o auge do sucesso do Cansei de Ser Sexy, o CSS. “Eu decidi então fazer uma coisa diferente, até para não ter comparação com o som que eu fiz com o CSS”, afirma o compositor, que apresenta nesta terça-feira (03/07) o novo trabalho no SESC Pompeia. Ao lado de Marina Vello, ex-Bonde do Rolê, ele lança o projeto Madrid, com composições próprias e um som acústico que vai falar mais alto a quem ouve Nick Cave e Patti Smith.
“Eu não tenho o costume de ouvir banda nova em casa, o que eu ouço são coisas que têm mesmo esse som mais acústico, que é um pouco o que eu fiz com o Ultrassom”, diz citando seu antigo projeto. Cintra compõe ao piano, instrumento que ele aprendeu a tocar dos seis anos até os 20 anos, quando era estudante do Conservatório Marcelo Tupinambá. “Quando eu tocava com o Ultrassom, eu fazia música ao piano”.
O reencontro com Marina Vello, que fez parte do Bonde do Rolê, coincidiu com essa fase. “Ela me ligou dizendo que estava deprimida em Londres, que estava tudo muito cinza e eu disse a ela para vir para cá e ela veio”, diz Adriano. Os dois foram para o estúdio o projeto decolou em quatro voos de Londres a São Paulo. As primeiras faixas saíram mais eletrônicas, mas a dupla decidiu rearranjar o material para as apresentações ao vivo. “Não quero fazer show de DJ”, diz Cintra. “Eu queria que a Marina tocasse violão, eu vou tocar piano e vamos ter guitarra, baixo e bateria”.
O show de estreia acontece em São Paulo, mas o Madrid já tem espaços para tocar em Curitiba e Porto Alegre, além de trabalhar datas na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, o álbum vai sair pelo iTunes e em versão vinil. “Estamos tentando fechar um selo para lançar o disco em Londres”, diz o compositor, que sonha em manter uma “ponte aérea” entre São Paulo e o resto do mundo. “Vamos aproveitar os contatos que temos lá fora, mas não o sucesso do Cansei e do Bonde”, afirma. Alguns fãs do CSS ainda seguem Adriano Cintra no Facebook, assinando um Lovefoxxx no final – o que, segundo ele, não incomoda. “Meu som agora é mais low-fi, não tem nada a ver, mas tem gente curtindo”, afirma. “Se eles gostam de Lana Del Rey, que faz música para boi dormir, por que não ouvir a nossa música?”
Para os fãs que eventualmente decidam cobrar uma sonoridade mais próxima do CSS, Adriano Cintra diz que é uma questão de encarar a maturidade. “Amadurecer é bom. Já estava na hora, né? Não vou mais ficar fazendo música para quem é adolescente, esse momentou passou. Foi uma liberação encontrar a Marina, que compõe e lê livros, tem coisas para dizer”, afirma. Por sugestão de Marina, entrou Honoré de Balzac na biblioteca de Adriano Cintra, autor que marcou a literatura por retratar seus personagens como pessoas reais, nem totalmente boas, nem inteiramente más. Como, aliás, quer ser o som do Madrid.

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